Uma ponte entre a sabedoria ancestral e a tecnologia de ponta coloca a ciência moçambicana no centro dos holofotes internacionais.
Uma investigação muito interessante desenvolvida por uma professora da Universidade Lúrio e um estudante moçambicano está a chamar a atenção do meio científico internacional. O estudo procura novos compostos para tratar o Vírus da Imunodeficiência Humana.
A pesquisa foi publicada recentemente na revista “Clinical Traditional Medicine and Pharmacology“. A professora Doutora Laize Sílvia dos Anjos Botas Beca e o estudante Hamza Age Daudo trabalharam juntos. Eles analisaram compostos naturais da planta africana “Hypoxis hemerocallidea“, também conhecida como “batata africana“.
Inteligência Artificial ao Serviço da Saúde
A Universidade Lúrio informou que a investigação usou “machine learning” para prever como a planta pode ajudar a combater o vírus. Com essa tecnologia, a equipa encontrou o composto “Procyanidin A2” como um potencial inibidor do vírus.
Os autores acreditam que o estudo une o conhecimento tradicional africano e as ferramentas modernas da ciência. Isso abre espaço para novas abordagens na investigação farmacêutica.
Ciência com Cautela: A Batata Africana Não Substitui o Tratamento Convencional
A professora Laize Sílvia dos Anjos Botas Beca deixa claro que o estudo não significa que a batata africana substitui os tratamentos atuais.
“O nosso estudo mostrou que o maraviroc ainda é melhor do que o fitoquímico da batata. O fitoquímico pode servir como um composto líder, mas precisa de ajustes para ser eficaz.”
A professora acrescenta que mais estudos são necessários antes de qualquer aplicação clínica.
“Queremos desenvolver um fármaco eficaz inspirado na sabedoria africana.”
Moçambique na Vanguarda da Investigação
Essa publicação científica mostra a aposta da Universidade Lúrio na investigação e inovação. Isso acontece num momento em que as instituições africanas querem produzir mais conhecimento sobre doenças que afetam milhões de pessoas no continente.
Fonte: mznews.co.mz.

