O grupo Vodacom destacou o desempenho da operação moçambicana como um dos factores que sustentaram o crescimento internacional do grupo no exercício financeiro terminado a 31 de Março de 2026. O período coincide com a entrada em vigor da estratégia “Visão 2030” e foi marcado por resultados acima das metas traçadas pela operadora.
Em Moçambique, o reconhecimento assenta no crescimento dos serviços digitais — conectividade móvel, plataformas de serviços financeiros e novas funcionalidades em torno do M-Pesa —, que continuam a ganhar tracção tanto em zonas urbanas como em segmentos não bancarizados.
O que a Visão 2030 reconhece em Moçambique
Na apresentação dos resultados anuais, em Joanesburgo, o grupo identificou três vectores em que a operação moçambicana sustenta a Visão 2030:
- Conectividade móvel, com expansão contínua de cobertura e modernização da rede.
- Serviços financeiros digitais, com o M-Pesa a alargar funções: pagamentos, remessas, microcrédito e poupança.
- Inovação em produtos digitais, com integração crescente entre rede, app e ecossistema de parceiros.
A operação moçambicana é citada, ao lado da África do Sul, como exemplo de “resiliência” no portefólio internacional, complementando o crescimento mais forte registado no Egipto, Tanzânia, RDC e Lesoto.
Os números que sustentam o reconhecimento
Os indicadores divulgados pelo grupo a 11 de Maio mostram a escala da execução:
- 237,3 milhões de clientes em oito mercados (+26 milhões no ano fiscal 2026).
- 103 milhões de utilizadores de serviços financeiros via M-Pesa (+17,4%), incluindo a Safaricom.
- 6.160 novos sites 5G e 3.041 novos sites 4G instalados no ano.
- CAPEX de 23,6 mil milhões de rands (cerca de 1,3 mil milhões de dólares), quase todo aplicado em rede e plataformas digitais.
- Receita de serviços: 133,6 mil milhões de rands (+10,6%; +12,9% normalizado).
- EBITDA: 62,6 mil milhões de rands (+12,8%; +14,2% normalizado), com margem de 37,4%.
Visão 2030: metas revistas em alta
Com os resultados acima do esperado, a Vodacom elevou os objectivos da estratégia Visão 2030:
- Clientes totais: meta sobe de 260 milhões para 275 milhões até 2030.
- Serviços financeiros: meta sobe de 120 milhões para 130 milhões de utilizadores.
O chief executive Shameel Joosub descreveu o ano como uma execução acima das metas, com as métricas operacionais a desbloquearem a revisão em alta dos objectivos. A operação de Moçambique entra neste cálculo como uma das geografias que ajudam o grupo a atingir esses números.
Serviços digitais como vantagem competitiva
A leitura da Vodacom é clara: rede + M-Pesa + ecossistema digital funcionam como uma stack única. O cliente recebe sinal 4G/5G, paga via M-Pesa, e acede a serviços digitais (saúde, agricultura, educação) sobre essa mesma plataforma. É a tese técnica que sustenta o crescimento que o grupo reconhece em Moçambique.
Para o ecossistema moçambicano, o anúncio do grupo tem três leituras práticas:
- Continuidade do investimento em infra-estrutura de rede e plataformas digitais.
- Pressão competitiva sobre Tmcel e Movitel, que terão de acompanhar o ritmo de inovação digital.
- Aceleração do M-Pesa, com novas funcionalidades alinhadas à meta global de 130 milhões de utilizadores até 2030.
Mais sobre o ecossistema tecnológico moçambicano pode ser acompanhado na cobertura de Destaque Nacional da Kabum Digital.
Fontes: Diário Económico, Engineering News, TechAfrica News, Tech Africa, Vodacom Group.

