O programa MDITecHub aposta na tecnologia e na inovação juvenil como motor de desenvolvimento em Moçambique.
A Incubadora de Negócios da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) graduou 12 startups tecnológicas com soluções digitais para áreas como a educação, a gestão de stocks alimentares e a promoção cultural. O resultado vem do programa Maputo Digital Innovation Tech Hub (MDITecHub), que a Incubadora da UEM executa em parceria com a Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS) e o Centro de Informação e Educação para o Desenvolvimento (CIES).
O que faz uma incubadora
Uma incubadora apoia empresas na fase inicial, quando a ideia ainda precisa de ser transformada num negócio. Em geral, oferece formação, mentoria, espaço de trabalho e contactos com investidores e parceiros. Assim, os fundadores podem testar o produto, ajustar o modelo de negócio e preparar-se para o mercado com menos riscos.
A UEM e a transformação digital
Na cerimónia de graduação, o reitor da UEM, Manuel Guilherme Júnior, destacou que a universidade se tem afirmado como uma referência na promoção da inovação tecnológica e do empreendedorismo digital no país. Segundo o reitor, os projectos apresentados usam plataformas digitais para resolver problemas concretos, da gestão de stocks alimentares à promoção da cultura. Desta forma, mostram como a tecnologia pode ser uma ferramenta de transformação social e económica.
No entanto, Guilherme Júnior sublinhou que a graduação marca apenas o início de uma nova fase. Na sua opinião, os próximos desafios passam por consolidar os modelos de negócio, conquistar mercados digitais e atrair investimento. Por isso, deixou um apelo ao sector privado e aos investidores para que continuem a apostar no ecossistema tecnológico moçambicano.
A incubadora faz parte de um conjunto mais amplo de investimentos da UEM em tecnologia, que inclui o novo centro de dados e a Sala do Futuro, o laboratório de robótica e inteligência artificial.
Competências digitais para as novas gerações
Por sua vez, Maria Cristina, representante da AICS, elogiou a qualidade técnica dos projectos. Para ela, a transformação digital é essencial para o desenvolvimento sustentável de Moçambique. Além disso, defendeu que investir em competências digitais e em empreendedorismo tecnológico é indispensável para criar oportunidades para os jovens. A inovação, acrescentou, deve servir tanto o negócio como o impacto social.
Soluções que nascem de problemas reais
Por exemplo, entre as startups graduadas está a Cartuno, criada por Alice Agostinho. Trata-se de uma plataforma digital que ajuda pais e encarregados de educação a encontrar informação sobre centros infantis onde inscrever os filhos.
Já Sumile Ibraimo apresentou uma plataforma tecnológica que liga pessoas de diferentes nacionalidades e promove a aprendizagem de línguas africanas e o intercâmbio cultural.
Assim, os dois exemplos mostram a diversidade das ideias que passaram pela Incubadora da UEM. O teste seguinte será comercial: transformar estas plataformas em empresas com clientes, receitas e capacidade de crescer para além da fase de incubação.
Para isso, o acesso a financiamento será decisivo. Em Moçambique, muitas startups têm dificuldade em obter crédito ou capital de risco depois de saírem das incubadoras. Por essa razão, o apelo do reitor aos investidores privados tem um alcance prático para estas 12 empresas.

