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UEM acelera transformação digital com novo centro de dados


A Universidade Eduardo Mondlane inaugurou o seu novo Centro de Dados, financiado pelo Banco Mundial via MozSkills, para suportar IA, nuvem, Big Data e investigação.

UEM acelera transformação digital com novo centro de dados

A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) inaugurou a 2 de Agosto de 2026 o seu novo centro de dados. A infra-estrutura foi construída de raiz para responder às exigências da investigação científica, da gestão académica e da transformação digital do país. Por um lado, substitui a antiga sala de servidores e multiplica por cerca de catorze a capacidade de armazenamento da universidade.

Por outro lado, o Banco Mundial financiou o projecto através do Projecto MozSkills, e o Ministério das Comunicações e Transformação Digital ficou responsável pela sua implementação.

Um centro de dados para a próxima década

Em termos técnicos, o novo espaço tem climatização de precisão, monitorização ambiental, sistemas redundantes e mecanismos reforçados de segurança. Além disso, usa energia fotovoltaica como fonte prioritária, o que junta modernização tecnológica e responsabilidade ambiental.

Segundo o engenheiro David Bila, do Centro de Informática da UEM (CIUEM), a arquitectura foi dimensionada para acompanhar o crescimento previsto nos próximos cinco a dez anos. Ao mesmo tempo, garante o desempenho dos serviços críticos que já estão em funcionamento.

A tradição do CIUEM

Ao mesmo tempo, o investimento reforça o papel do CIUEM, criado em 1981. De facto, o centro foi pioneiro na introdução da internet em Moçambique e continua a gerir infra-estruturas estratégicas, como o domínio .mz e o MOZIX, o ponto de troca de tráfego de internet do país.

Para o director do CIUEM, o professor Luís Neves, o novo centro de dados vai acolher aplicações críticas da universidade e apoiar tecnologias como a inteligência artificial e a computação de alto desempenho. Consequentemente, os serviços digitais da UEM, e de terceiros, passam a ter níveis de disponibilidade muito mais altos.

Um recurso para estudantes, startups e Estado

O ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, sublinhou que a infra-estrutura pode suportar serviços de nuvem, projectos de ciência de dados e de IA e laboratórios digitais. Do mesmo modo, pode acolher soluções criadas por estudantes, investigadores, startups e pequenas empresas tecnológicas.

Por fim, o ministro desafiou o ensino superior a reforçar a formação em cibersegurança e em inteligência artificial. Na sua opinião, só há confiança nos serviços digitais se a informação estiver protegida.

O impacto na investigação

O reitor Manuel Guilherme Júnior classificou o investimento como um dos mais decisivos da história recente da UEM. Com a migração, a universidade pode consolidar as plataformas de ensino digital, alargar projectos científicos complexos e reforçar a segurança da informação. Além disso, alinha-se com o Plano Estratégico 2018-2028, que aponta para um modelo de universidade de investigação.

Entretanto, os investigadores já antecipam efeitos concretos. O professor Jorge Nhambiu, que trabalha com IA, prevê poder treinar modelos muito mais robustos. Por sua vez, a Faculdade de Medicina passa a ter um repositório fiável para grandes volumes de dados de saúde.

Para a professora associada Esselina Macome, o benefício vai além da UEM. Isto porque a infra-estrutura pode servir outras instituições académicas, organismos públicos e parceiros nacionais. Já Lourino Chemane, presidente do Conselho de Administração do INTIC, enquadrou o investimento na Estratégia Continental de Inteligência Artificial da União Africana, aprovada em 2024.

Parte de um ecossistema

O centro de dados integra um conjunto mais amplo de investimentos da UEM, que inclui a Sala do Futuro, o novo laboratório de robótica e inteligência artificial. Assim, com estas infra-estruturas, a universidade fica preparada para suportar aplicações críticas e o crescimento previsto até ao final da década, com menos dependência de serviços externos.

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